Uma tecelagem brasileira moderniza seu maquinário para que a poluição gerada por esta seja menor; uma fundição instala filtros em suas chaminés para eliminar (ou ao menos reduzir drasticamente) a fuligem e o CO2 emitidos. Exemplos como estes estão se tornando cada vez mais comuns no pais, pois são pré-requisitos importantes para que seus produtos sejam aceitos na Europa e na América do Norte. Os investimentos, que não são nada baratos, são diluídos nos custos de produção, o que acaba encarecendo seu valor e dificultando sua distribuição. Do ponto de vista do capital, parece não fazer sentido gastar dinheiro investindo em tecnologia se meu produto terá mais dificuldade no mercado. Para incentivar esse procedimento, vários mecanismos foram criados para viabilizar a utilização dessas tecnologias, selos verdes, alivio tributário entre outros. Um dos novos modelos de incentivos é o Credito Carbono. A idéia é simples: cada tonelada de carbono que minha empresa deixa de emitir na atmosfera gera um credito de carbono que pode ser negociado na bolsa de valores. Quem compra isso? Empresas que poluem. Desta forma, cada tonelada de carbono que deixo de emitir é “reposta” pela empresa que comprou o credito, trocando em miúdos: eles poluem o que eu deixei de poluir. Com o dinheiro dos créditos, é possível reinvestir em mais equipamentos, poluir cada vez menos e voltar a vender meus créditos. A poluição virou mercadoria de consumo.
Mas e o “Credito Carbono Social” pergunta você, o que é? Antes de explicar o que é, uma historinha: Estava eu na sala de aula, trabalhando sociologia com uma turma de segundo ano quando veio a discussão sobre consumo. Para exemplificar, questionei aos alunos se eles já haviam mensurado sua “Pegada Ecológica” através do site da WWF Brasil. . Trata-se de um questionário onde é possivel calcular o impacto de suas ações individuais, imaginando que toda população do planeta consumisse como você, quantos planetas seriam necessários para sustentar esse modo de vida. nos questionamentos que vieram a seguir, com alunos falando sobre suas experiencias para minimizar seu impacto, eis que surge um individuo (não vou revelar que foi o Gustavo...) que, lá no fundo da sala sai com a seguinte frase: "- Eu não vou mudar meu modo de vida, as crianças na África compensam meu consumo..." Acompanhado de risos generalizados, mesmo que por brincadeira, essa frase levantou uma questão importante: será que um dia transformaremos a fome em um produto negociavel em bolsa de valores? Parece estúpido, mas quem, não muito tempo, em sã consciência, imaginaria que poluição seria negociada nas principais bolsas mundiais?
Imaginem a seguinte hipótese: uma pessoa pode comer tranquila os seus 3 x-saladas pois sabe que estará compensando em sí a fome de uma outra pessoa. Até quando esse tipo de pensamento egoista e mesquinho irá prevalecer? Será que um dia negociaremos "Creditos Sociais"como forma de minimizar-mos nosso impacto de consumo?
Acabei de ler o texto e achei muito bom. Acabei realmente parando para pensar na idéia.
ResponderExcluirPS: não achem que eu comentei sobre as crianças da África de maneira séria. E por incrível que pareça também não sou um idiota completo.
Gustavo G. Pereira
Na boa Gustavo, sei que falasse de "brincadeira" (hehehe.... Quanto ao idiota completo... deixa, um dia se chega lá!!!
ResponderExcluirAbraços!