terça-feira, 2 de novembro de 2010

A eleição de Dilma

Finalmente as eleições passaram. Podemos voltar a ver nossa novela das 8 no horário normal dela: as 9; assim como não teremos mais que inventar outras coisas para fazer durante aqueles intermináveis minutos de propaganda eleitoral "gratuita". Mas e ai, qual foi o resultado de tudo isso?
Essas eleições provaram alguns pontos importantes, e a mais importante, no meu ver, é que os eleitores estão votando em pessoas, não em partidos. O país elegeu a primeira mulher presidente de sua história, possivelmente auxiliada pelo voto feminino (maioria do eleitorado). O presidente Lula, mesmo com a sua impressionante aprovação popular, não conseguiu transformar a totalidade de sua popularidade em votos, forçando um confronto entre Dilma e Serra em um desgastante segundo turno. Digo desgastante não pela interferência da propaganda política na televisão, mas para os candidatos. A campanha difamatória protagonizada por ambos presidenciáveis e pela mídia ligadas a eles (em especial a Veja - Serra - e a Isto é - Dilma) foi vergonhosa em muitos aspectos. No fim, Dilma levou a eleição.
Terminado o pleito, uma nova informação apareceu: Dilma venceria a eleição mesmo que todos os votos das regiões Norte e Nordeste fossem excluídos; e isso realmente foi uma surpresa para mim. Desde o fim do segundo turno sabia que seria muito difícil Serra tirar a desvantagem de 14.5 milhões de votos (mais precisamente 14.519.283 votos de diferença). Seria necessário buscar a integralidade dos eleitores de Marina Silva (pouco mais de 19.6 milhões de votos) para tentar uma virada, mas sempre acreditei que seriam as regiões norte e principalmente a nordeste que dariam a vitória para a candidata do PT.
Mas mesmo vencendo em quase todos os Estados do sul, sudeste e centro-oeste, as diferenças foram pequenas, compensadas por Rio de Janeiro e Minas (Aécio Neves não conseguiu levar a grande maioria dos mineiros para Serra, provando mais uma vez que os eleitores votam na pessoa). A vantagem de Dilma seria pequena, quase 300 mil votos, mas o suficiente para vencer.
Outro dado importante observado foi o numero de votos "não validos", ou seja, os brancos e nulos alem das abstenções. A soma total deste eleitores chega a impressionantes 36.339.177 (28,2%), 2.1 milhões a mais que no primeiro turno. Para muitos brasileiros, a praia estava mais interessante que o futuro político e econômico do país.